Tudo o que precisa de saber sobre Malária em Angola

A Malária em Angola é endémica, a principal causa de morte e de absentismo ao trabalho e à Escola. Registaram-se 2915 mortes em Angola devido a Malária no primeiro trimestre de 2016, comparados com 8000 em todo o 2015 e 5500 em 2014. A maior parte das vítimas foram crianças com menos de 5 anos e mulheres grávidas.

Como expatriados a viver em Angola, ouvimos muitas vezes falar da Malária como uma coisa quase normal, do dia a dia… até porque a determinada altura parece que toda a gente já teve malária, ou tem um amigo que teve malária. No entanto, existem bastantes dúvidas sobre a doença – nós sabemos que as tivemos! Ouvimos coisas diferentes, de pessoas diferentes e tudo se torna muito confuso. Além do mais, uma coisa é ir de férias para um país com malária por uma ou dias semanas, outra é mudar-se para lá e viver nesse país durante anos. 

Assim, decidimos recolher informação de diversas fontes, incluindo diferentes médicos, enfermeiras e informação de WHO e vamos agora partilhá-la pois pensamos que pode ser útil!

Malária ou paludismo? Qual a diferença?

Muitas vezes se ouve falar em malária e em paludismo, e não se consegue perceber se é a mesma doença, se um é mais grave que o outro… Malária e Paludismo são a mesma coisa, são exactamente a mesma doença. A única questão é que em Angola se usa bastante mais o termo paludismo do que Malária.

All you need to Know about Malaria Angola

O que causa a Malária/Paludismo?

A Malária (ou Paludismo) é causada pela picada do mosquito feminino Anopheles. A picada introduz no sistema circulatório do hospedeiro os parasitas presentes na sua saliva. Uma vez que um mosquito infectado pica um humano e transmite os parasitas, esses parasitas multiplicam-se no fígado do hóspede antes de afetar e destruir as células vermelhas.

O período de incubação ocorre antes de aparecerem os primeiros sintomas – este período normalmente varia entre 7 a 16 dias, de acordo com as espécies do parasita. Existem mais de 100 tipos de parasitas “plasmodium”. Em Angola, o parasita mais comum são o P. faciparum, P. vivax e P. Malariae. O P. faciparum é responsável por 92% de todos os casos da doença em Angola.

Sintomas da Malária / Paludismo

Os primeiros sintomas da malária ou paludismo são não específicos, e semelhantes aos da gripe. Estes incluem calafrios, dores de cabeça, náuseas, vômitos, diarréia, dores musculares e fadiga. Em crianças pode também causar letargia, falta de apetite e tosse (de acordo com a WHO). Existem 2 tipos de malária: Malária grave e Malária não complicada.

Angola malaria symptoms

Malária Grave e Malária Não complicada

A Malária não complicada é diagnosticada quando os sintomas estão presentes mas não há sinais clínicos ou laboratoriais que indiquem uma infecção severa ou disfunção dos órgãos vitais. Indivíduos que sofrem desta forma de Malária pode eventualmente desenvolver malária severa quando a doença não correctamente tratada, ou quando têm o sistema imunitário muito debilitado!

Os sintomas da malária não complicada duram tipicamente entre 6 e 10 horas, e vêm em ciclos que ocorrem dia sim, dia não. No entanto, alguns tipos de parasitos podem causar um ciclo mais longo ou sintomas mistos.

A Malária severa é definida por evidência clínica ou laboratorial de disfunção vital de órgãos. Esta forma de malária é potencialmente fatal quando não tratada! Os sintomas são inconsciência (gaslow <11), prostração (incapacidade de se sentar ou ficar em pé sem assistência), convulsões múltiplas, acidose, hipoglicemia, sangramento anormal e sinais de anemia, insuficiência renal, edema pulmonar.

How to prevent Malaria in Angola?

Como diagnosticar Malária / Paludismo

Em zonas endêmicas, deve-se suspeitar de malária em qualquer paciente que apresente histórico de febre ou temperaturas superior aos 37,5º e não exista uma outra doença óbvia. As características clínicas são não específicas e o seu diagnóstico obriga a que sejam feitos testes sanguíneos. A OMS aconselha vivamente a confirmação da doença via microscópio a o uso de RTP “rapid diagnostic test”. Em Angola o primeiro passo é ir a uma clínica quando se sente qualquer dos sintomas da doença e fazer o teste da “gota espessa”

A gota espessa é o método oficial adotado em Angola para o diagnóstico da Malária. Este exame é simples, eficaz, tem um custo reduzido e é muito simples de realizar. A técnica consiste na visualização do parasita ao microscópio. O teste permite a quantificação e monitorização do parasita, bem como da diferenciação entre as principais espécies de plasmodium.

É possível efectuar estes testes em qualquer clínica grande e nos centros de saúde. Quando sente um dos sintomas em Angola, deve efectuar de imediato o teste da Gota Espessa. Por vezes o resultado do primeiro teste pode ser negativo, mas se os sintomas continuarem deve repetir 3 vezes até poder riscar a hipótese de ser Malária. No entanto, se o teste foi positivo, deve imediatamente iniciar tratamento. Não existem falsos positivos no teste da Gota Espessa.

All you need to Know about Paludismo in Angola

Prevenção da Malária em Angola

Já toda a gente deve ter ouvido sobre isto, mas nunca é demais repetir. A forma de evitar malária, é evitar ser picado pelos mosquitos!

  • cobrir a pele usando camisolas de manga comprida, calças e especialmente à noite quando eles são mais activos;
  • Utilizar um repelente de insetos (lembrem-se que os repelentes têm de ter DEET para ser eficazes);
  • utilizar spray de insetos nas zonas interiores especialmente nos quartos;
  • Evitar ter águas paradas em zonas interiores;
All you need to Know about Malaria in Angola

Deve um expatriado tomar os anti maláricos a longo termo?

Viajantes de longo termo são defenidos como não imunes que ficam em países endémicos por mais de 6 meses. De acordo com a CDC (centers for Disease Control), expatriados que morem onde a malária é hiper ou holoendérico devem ser encorajados a tomar quimioprofilaxia continuamente durante os períodos de alta transmissão e ficar de descanso durante o resto do tempo.

O risco de efeitos secundários sérios associados com o uso profilático de lnogo termo da cloroquina é baixo, mas a toxicidade da retina é preocupante quando uma dose cumulativa de 100 g de cloroquina é atingida. Qualquer pessoa que tenha tomado 300 mg de cloroquina semanalmente por mais de 5 anos e necessite de profilaxia adicional deve ser examinada duas vezes por ano para verificar se há alterações da retina. Se doses diárias de 100 mg de cloroquina tiverem sido tomadas, o rastreamento deve começar após 3 anos.

Os dados indicam que não há risco aumentado de efeitos secundários sérios devido ao uso de mefloquina se a droga é tolerada no curto prazo. Os dados farmacocinéticos indicam que a mefloquina não se acumula quando há ingestão a longo prazo.

Este é um tema bastante controverso e apesar de termos investigado e perguntado a bastantes pessoas da área, não chegamos a uma conclusão absolutamente definitiva. Existe bastante evidência de que deve tomar os anti maláricos, mesmo no longo prazo. Mas não existe evidência de por quanto tempo se pode tomá-los. e há também alguma evidência de perigos de tomar anti-maláricos por longos períodos de tempo. 

Assim, deixamos este tema a vossa consideração e critério, mas acima de tudo aconselhamos que siga o conselho de vosso médico, pois ele é o especialista!


Bibliografia – Malária ou Paludismo em Angola

  1. ADPP Angola  and Ministério da Saúde e o Programa Nacional de Controlo da Malária. “Manual do Professor do Controlo da Malária”. 2006
  2. WHO, Malaria report 2015
  3. WHO, Guidelines for the treatment of malaria 3rd edition.
  4. Lam, Peter. “Malaria: Causes, Symptoms and Treatments.” Medical News Today. MediLexicon, Intl., 23 Feb. 2016. Web. 18 May.2016 – http://www.medicalnewstoday.com/articles/150670.php
  5. CDC (Centers for Disease Control and Prevention), Malaria and Travelers
  6. Ações de Controle da Malária – Manual para Profissionais de Saúde na Atenção Básica, Ministério da Saúde do Brasil, 2005

Sharing is caring!

shares